Nova Entrevista com Bumblefoot a revista Rock

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Nova Entrevista com Bumblefoot a revista Rock

Mensagem  GiRose em Seg Jun 08 2009, 18:52

Pergunta: O EP acústico "Barefoot" mostra seu lado interessante. Como a conexão com baladas dos Guns N' Roses como "Patience"...

Ron Thal: Ah, eu não acho que é tão boa quanto as músicas acústicas dos GN'R (risos). Eu sequer consigo alcançar isso, pois não vejo minha música como outros a vêem. Eu escuto o que eu penso e sinto durante a composição, eu não escuto o resultado final. Então, se você dizer que é algo similar às músicas dos Guns N' Roses é interessante para mim. E me faz feliz. Com certeza, eu segui o mesmo caminho para despojar músicas e as fazê-las parecer mais limpas, íntimas e ter um impacto directo no ouvinte.

Ou talvez seu propósito era mostrar aos seus companheiros de banda suas possibilidades - "olha como eu componho legal, talvez nós usemos isso no próximo álbum"?

Não, eu sequer pensei nisso. Se eu tomar parte nas gravações de outro álbum dos GN'R, eu vou compor de qualquer jeito. Mas talvez se eu trabalhar em outro álbum acústico, eu convide o Axl a cantar, se isso te faz feliz.

Acredito na sua palavra. Falando sobre "despir" as músicas, a mais rearranjada foi a "Abnormal". De punk, ela se tornou em algo calmo. Foi fácil chegar tão longe do original?

Não olhei para os arranjos da música, seu estilo e energia. Eu as desconstruí pensando em como fazê-la interessante novamente para mim. Eu estava procurando partes em particular, pensando sobre o destino delas. Por exemplo: como eu fiz aquela parte de guitarra doida, sendo totalmente o oposto de algo que fiz 3 segundos depois. Eu me perguntei onde fazer o próximo passo para fazer a música ser chocante novamente, para fazê-la como algo novo. Eu cheguei à conclusão de que a melhor forma será ir em uma direcção totalmente diferente. Ao invés de amostras loucas e técnicas de guitarra, algo mais melódico. Basicamente, eu apenas virei a música de ponta cabeça, foi quase bi-polar.

Mas há músicas bem próximas às originais - por exemplo, "Shadows".

Sabe o que é mais interessante? Que algumas músicas que eu pensei que seriam óptimas em versões acústicas acabaram não sendo tão legais. Por exemplo, a "Overload", do álbum "Normal". Acontece que as baterias são essenciais nela, por conta da vibe que elas criam. Quando eu fiz apenas com violão, perdeu muito. Escolher o setlist foi bem surpreendente: algumas músicas acabaram sendo melhor em versões acústicas, outras não. Eu pensei que tudo se resume à melodia principal. Se for forte o suficiente, a versão acústica era óptima. É outro óptimo exemplo para mim de que algumas músicas eram realmente boas e quais eram apenas para encher chouriços.

Você fala sobre melodias e também melodias de guitarra. Isso significa que você não quer ser considerado um fritador, um mago da guitarra?

Quando eu penso sobre mim eu me vejo como alguém que produz outras bandas, que ensina música na faculdade, que compõe para programas de TV, que toma parte nas gravações como membro de banda. É tudo importante, não só a parte em que eu toco rápido. Eu não me encaixo no estilo "fritador" porque isso é geralmente algo sem vocais, quase uma música de fundo, e existe para mostrar habilidades técnicas. Não é minha meta, não é meu trabalho natural. Eu crio músicas. Este álbum acústico mostra que minhas músicas são canções reais, não o pano de fundo para mágicas na guitarra. Se você escutar com atenção alguns solos, por exemplo o solo final de "Abnormal', vai escutar que não estou mostrando habilidades, mas algo com melodias - elas estão lá, mesmo se as pessoas só liguem para as habilidades técnicas.

Tendo isso em mente, eu quero saber o quanto você divide sua guitarra no Guns N' Roses. No passado era simples: havia um cara que tocava os solos e o outro tocava base. Agora tem três guitarristas...

Você está certo, no passado havia uma base e outro era solo. Agora você tem três solistas e cada um com estilo diferente. DJ é algo como o Slash, ele toca as partes melódicas, mas também pode tocar bem rápido. Ele é um cara bem talentoso. Richard Fortus pode tocar qualquer coisa em um nível fantástico. Eu também sou bem flexível considerando estilo, mas eu toco geralmente as coisas estranhas - tapping, sons atípicos, etc. Então eu sou o responsável no GN'R por todas as partes doidas, estranhas e novas, o DJ é pela melódica e o Richard tem uma parcela de tudo isso. Nós dividimos dessa forma, mas é por isso também que eu não toco tantas partes melódicas quanto eu posso. Mas é assim que funciona nos GN'R.

Essas proporções mudaram quando o DJ entrou na banda?

Nem tanto. Nós tentamos manter como funcionava no passado. Por sinal, algumas músicas tinham até três solos, então cada um toca um nesse caso.

E como ficou no "Chinese Democracy"?

Eu toquei em um monte de coisas. Muitas partes de base, muitos solos. Em algumas músicas, os solos tinham sido gravados há anos. E após tanto tempo, parecia que tocar qualquer coisa diferente no lugar não seria uma boa ideia. Nós simplesmente deixamos como estava. Eu toco todas as partes originalmente compostas e gravadas pelo Buckethead e aquelas que eu mesmo gravei. O DJ vai pegar as partes do Robin com o Richard. O Richard, é claro, vai tocar as partes dele também. Em se tratando de guitarra, há um monte de coisas interessantes no "Chinese Democracy".


Em qual música do "Chinese Democracy" você contribuiu mais?

Ah, não é uma pergunta fácil. Em "Shackler's Revenge", é claro que tem meu solo. Mas algumas vezes eu toquei coisas que uma audição normal não seria notável. Por exemplo, na música "I.R.S.". Eu não toco solos nesta, mas eu coloquei um monte de guitarras no fundo, a que mais tem dentre as músicas do "Chinese Democracy". Elas não são audíveis de primeira, mas estão lá com certeza. Só sei que, quando começamos a tocar essas músicas nos ensaios, eu comecei a me lembrar em quantas guitarras eu gravei. Eu tinha esquecido completamente delas.Hmm, se eu tivesse que apontar músicas com as minhas maiores contribuições, eu escolheria "Shackler's Revenge", "Catcher in the Rye" e "Chinese Democracy", na qual minhas bases mudaram bastante a música. Eu também usei uma guitarra fretless em "Scraped". Estas músicas realmente mostram minha guitarra. Eu também adicionei pequenas partes aqui e ali: por exemplo, um pequeno solo blues no final do segundo verso de "Better". Em geral, eu realmente gosto de minhas bases, para mim elas são as coisas mais importantes que eu gravei, elas mudaram muito. Após essas partes, as músicas ficaram mais rock n' roll do que industrial.

Então você prefere a atitude da banda sendo mais rock n' roll, como na música "Street od Dreams". Você não gosta de músicas baseadas em industrial?

É difícil dizer que estilo eu prefiro mais. Os dois estilos criam o quadro inteiro. Coisas que lembram os tempos antigos são legais, pois elas trazem memórias de tempos familiares, antigos. Por outro lado, coisas que não são totalmente familiares com o estilo antigo trazem alguma novidade nas músicas. Cada estilo dá alguma coisa especial. Nas músicas "mais antigas", melodia são legais. Coisas "novas" são bem intensas e esquisitas. E o que eu quis dizer é que elas são intensas de um modo emocional, não de um modo técnico.

Como são os relacionamentos na banda? É uma democracia ou é uma "democracia chinesa" com o reinado de apenas um homem?

Eu diria que é uma democracia lá. Nós todos temos grandes contribuições à banda, nós compartilhamos opiniões e ideias. Todos nós fazemos escolhas... Pessoas de fora gostam de fazer teorias nas quais nos GN'R há apenas um homem reinando. Não é verdade. É claro, o Axl tem todos os direitos sobre o nome. Se alguém tem que fazer uma decisão definitiva, é claro que isso é com ele. Mas não é uma ditadura. Ele trata a todos nós muito bem e nós respeitamos. Eu não iria percorrer o mundo inteiro alegando que os Guns N' Roses é minha banda se todo mundo fizesse o que eu mandasse fazer. Não nos comportamos desse jeito e o Axl também não. Em se tratando de ideias - musicais ou não, todos dão suas opiniões e nós todos damos opiniões e estamos todos interessados no ponto de vista de todos, no sentimento de todos.

Você se encontra com outros fora do estúdio?

Claro. Há semanas nas quais saímos juntos quase todos os dias, sentados a noite inteira e causando confusão (risos). Estamos em contacto o tempo inteiro. Por exemplo, na semana passada eu fui a San Diego para tocar em um show beneficente com artistas country de Nashville. Toquei violão com eles e depois como parte da banda. Foi tudo para os veteranos da marinha. No caminho para lá, eu troquei umas 30 mensagens com o Axl, basicamente fazendo brincadeiras o tempo inteiro. É como parece. Na noite passada, o telefone tocou, peguei ele e vi uma mensagem engraçada do Axl que eu respondi imediatamente. E nós escrevemos uns pros outros assim o tempo inteiro quase sem parar. Ou o Richard manda a todos nós emails nos quais ele faz graça do George Bush. Ontem, eu, Frank e os caras da banda estávamos no hotel e começamos uma festa. Os hóspedes reclamaram bastante por conta do barulho, então tivemos que descer e continuar a festa no lobby. Fazemos essas coisas assim pois faz parte da amizade.

Com que frequência vocês ensaiam?

Eu estou em Los Angeles desde Janeiro. No começo, tivemos audições com novos guitarristas. Então eu cuidei dos aplicativos do meu equipamento, etc. Eu estava verificando o que seria o melhor para a turnê, isso levou algum tempo. Também precisamos de alguns ajustes quando DJ entrou. Esses meses foram bem intensos por ter que praticar todas as coisas. Eu espero que nós movamos nossas bundas e comecemos a tocar em turnê.

Há material novo sendo tocado nesses ensaios?

No momento, não. Estamos focados no "Chinese Democracy". Nós temos que tocar esse material antes de fazermos algo novo. Eu sinto que ainda não acabamos com ele - não importa o quão estúpido isso soe. Nós não fizemos tudo o que é direito com o álbum. Não fizemos uma turnê, outras coisas faltaram. Então, antes de começarmos algo novo, nós devemos ter certeza que fizemos tudo que podíamos com este álbum.

Havia informações sobre o "Chinese Democracy" ser a primeira parte de uma trilogia, há rumores de que o material já estaria gravado. Ou talvez vocês começaram a gravar algo novo com essa formação?

Eu gostaria que fosse dessa forma, criando juntos. Mas eu toquei em várias outras músicas, adicionei solos, bases, preenchimentos em algumas que não apareceram no disco. Eu não sei se será uma trilogia ou se era apenas um rumor que saiu do controle. Talvez houvesse essa ideia, mas ideias mudam. Quando você grava um disco, você começa com uma idéia, então acaba com algo totalmente diferente e tem que descartar ideias anteriores. É difícil de dizer, talvez em um estágio houvesse planos de fazer uma trilogia, mas até onde eu sei, eu não acho que isso vá acontecer. Mas é possível que fosse uma ideia ou fosse apenas alguém pensando alto que alguém entendeu como planos definitivos. Aconteceu isso com meus discos também. O último deveria ser duplo - um CD com as coisas pesadas, outro com as baladas. Eu descartei essa ideia e criei o "Abnormal".

Eu soube que você não queria ter um pedacinho sequer do "Chinese Democracy" antes de ser lançado. Eu suponho que você quis evitar seis meses na prisão?

(Risos) É, é verdade, eu não tinha nenhuma demo ou cópias das músicas que eu gravei. Eu não quis. Eu quis que todo mundo tivesse 100% de certeza que eu não tive nada em comum com isso. Foi uma evidência de confiança.


Fonte: Perfect crime
http://www.chinesedemocracy.com/forum/guns_n_roses_news/totally_new_interview_with_bumblefoot_in_polish_rock_magazine-t44004.0.html
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Re: Nova Entrevista com Bumblefoot a revista Rock

Mensagem  SGuns em Qua Jun 10 2009, 02:48

Muito fixe a entrevista.
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