Ron Thal - entrevista para a Nightwatcher's House Of Rock

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Ron Thal - entrevista para a Nightwatcher's House Of Rock

Mensagem  SGuns em Qua Jun 03 2009, 01:55

Alguns trechos da entrevista:

Domingo, 31 de Maio, 2009

Contos do Bumblefoot : Uma entrevista exclusiva com o guitarrista dos Guns N’ Roses Ron Thal
Chinese Democracy. Essas duas palavras viraram um sinonimo de um dos mais esperados, lendários e míticos álbuns da história do rock. Quatorze anos em produção, pelos idos de 2005, a produção do álbum chegou a casa dos $13 milhões (de acordo com um artigo do New York Times publicado em Março do mesmo ano.) Tudo para um álbum que poucos acharam, fora talvez os membros da banda e fãs dos Guns N' Roses, veria a luz do dia – ao menos em sua forma oficial.

Verdade seja dita, muitos simplesmente deixaram de se importar após numerosos atrasos e falsas datas de lançamento que apareceram e se foram sem recompensas, salvo pela estranha faixa "Oh My God", uma possível música do álbum que foi lançada na trilha sonora do filme de 1999 de Arnold Schwarzenegger 'End Of Days'.

Foram então com ouvidos cínicos e desconfiados que o mundo do rock ouviu uma verdadeira data de lançamento, para Novembro de 2008, deste disco ‘elefante branco’. Mas também com tal cepticismo veio a curiosidade. Se ele de fato visse a luz do dia, quais músicas estariam na lista final? As faixas seriam as mesmas que vazaram várias vezes na Internet? Quais músicos do elenco de centenas (na verdade um pouco mais do que vinte) apareceriam? Iria o cabeça e único membro original do GNR, Axl Rose, puxaria o plug da coisa toda no último minuto?

Tais questões foram respondidas quando, em Novembro de 2008, o álbum finalmente chegou às prateleiras das lojas através de um acordo de exclusividade com a rede Best Buy nos Estados Unidos. Enquanto nenhum álbum poderia possivelmente sobreviver a enorme expectativa ao redor de seu lançamento, ele incrivelmente se uma progressão lógica e coesa dos últimos lançamentos completos da banda, 'Use Your Illusion Pt 1 & 2'. Enquanto parecia polarizar fãs de longa data que esperavam outro 'Appetite For Destruction', mais ouvintes de mente aberta acharão o álbum, apesar das probabilidades contra – um ótimo disco de rock que fica melhor após cada audição.

Um dos maiores componentes na criação do álbum é o guitarrista nascido no Brooklyn Ron "Bumblefoot" Thal, que em recomendação de Joe Satriani, se juntou à banda em meados de 2006. O único guitarrista a aparecer em todas as faixas do lançamento, seja em partes de base e solos, seu talento ultrapassa a densa, as vezes grandiosa produção, mostrando a magia da guitarra que se fez evidente através da carreira de mais de uma década em gravações, anteriores a sua reunião com Axl Rose & Co.

Nove CD's, um DVD ao vivo, várias participações em várias colectâneas e sendo convidado em trabalhos de outros artistas o estabeleceu como sendo uma força a ser reconhecida dentro da comunidade dos guitarristas. A exposição dada a ele pelo mundo da gravação e de turnês – vasta com uma das maiores bandas dos últimos 20 anos é certeza de espalhar a palavra deste humilde, pé no chão e músico maravilhosamente técnico.

Recentemente eu tive a oportunidade de me encontrar com Thal no aeroporto Burbank em Los Angeles, para uma conversa gravada interrompida de tempos em tempos pelo barulhos dos aviões decolando. Tópicos discutidos incluíram o já mencionado ‘Chinese Democracy’, o novo lançamento solo do guitarrista ‘Barefoot: The Acoustic Sessions’, como fazer parte de uma das maiores bandas do rock mudou sua vida, sua filosofia sobre fazer música e muito mais.

Agradecimentos especiais a Barbara Lysiak por coordenar, e um GRANDE agradecimento ao Ron Thal por fazer esta entrevista com a Nightwatcher's House Of Rock!

Entrevista e texto por Nightwatcher © 2009

31 de Maio, 2009

NHOR : Você acha que tocar as músicas dos Guns teve influência nas suas próprias músicas, em termos de estrutura?

RT : Eu acho que sim. Qualquer coisa, se você continuar tocando, e se tornar parte do que você faz, assim que você for criar ou embelezar algo... qualquer coisa que você faça em sua abordagem... definitivamente eu poderia sentir isso em várias das minhas músicas que eu estava colocando em melodias de guitarra que dançam ao redor, complementam ou contrastam com as linhas de voz de uma forma que a alguns anos atrás eu poderia não ter. Eu acho que deveria ser impossível isso não afetar em nada após tocá-las centenas de vezes.

NHOR : Sobre sua própria pegada, tecnicamente falando, como você a classificaria? Você está satisfeito com seu progresso como um guitarrista?

RT : Eu nunca ficarei satisfeito. Isso é verdade para a maioria dos guitarristas. Não importa o quão bem você foi naquela noite, e você tem alguém indo até você falando cara, você arrebentou aquela noite! Você ficará como, yeah, mas eu ferrei tal solo... eu não estava bem naquela parte... cara, eu preciso praticar mais. Então você se tranca em um quarto todo depressivo, passa fome e toca guitarra por 10 horas. (Risos) Isso nunca muda. E o dia que mudar, e você se tornar complacente, é o dia em que você começa a perder suas merdas.


NHOR : Você foi recomendado ao Axl e Guns N' Roses por Joe Satriani, então eles lhe enviaram um email, que o levou a eventualmente se juntar à banda. Sendo um artista independente, você chegou a ter algum receio quanto a entrar para a banda?

RT : E eu ainda estou puto com ele por conta disso. (Risos) Eu tive sim um pouco de medo no começo, pois eu tinha acabado de colocar minha vida aonde eu era o mestre do meu domínio de todas as formas. Minha vida era totalmente minha, e eu a tinha perfeitamente balanceada entre dar aulas de música na faculdade, fazendo shows como convidado, lançando meus álbuns e entrando em turnê assim. Produzindo outras pessoas, fazendo coisas em estúdio, eu tinha um milhão de coisas acontecendo. Eu tinha isso perfeitamente balanceado, e eu sabia que se eu me juntasse aos Guns a maioria dessas coisas teriam que parar pois eu não estaria fisicamente presente pra fazer aquilo, e não eram coisas que eu podia fazer na estrada.

Era uma questão de, eu quero abrir mão de tudo isso? Embora tocar com o GNR seja algo muito maior, é tudo questão de felicidade, satisfação e gratificação. Um monte de coisas que significam mais do que estar no mapa, fama ou qualquer coisa. Não que eu tenha feito por conta disso. Foi mais como, eu me encontrei com eles, nós tocamos e a coisa fluiu. Uma vez que isso aconteceu, eu tinha uma conexão pessoal em relação a isso, e apenas continuamos indo.

NHOR : Você foi precedido na banda por Slash, e então Buckethead. Foi um dos pre-requisitos para você fazer ser convidado a se juntar aos Guns N’ Roses, além do seu talento óbvio, ter um apelido?

RT : Sabe... eu não sei. Já me perguntaram isso várias vezes, você precisa ter um nome fodido para ser considerado para a banda? E, estou começando a achar que só consegui esse posto por causa do meu nome. Talvez eles achem que eu sou péssimo. (Risos) Talvez eles pensem, hey oc ara é péssimo, ele é um babaca com quem tocar mas... ele tem um nome estúpido, então vamos ficar com ele.


NHOR : Algum plano de turnê que você tenha conhecimento?

RT : No momento não há nada confirmado. Nada está definido. Se as peças se encaixarem, pode acontecer. Essa é a forma mais política que posso usar pra falar que não sei de nada. (Risos) Em outras palavras, pode acontecer, espero que aconteça, talvez aconteça, eu gostaria que acontecesse. Eu conheço muitas outras pessoas que gostariam que isso acontecesse, e se tudo der certo vai acontecer. Mas tem várias variáveis envolvidas, até coisas bem pequenas para ter certeza de que todos os pedaços se encaixem para que possamos fazer isso da forma certa.

NHOR : Essa é uma excelente forma de evitar essa pergunta, estou impressionado....

RT : Obrigado. Estou ficando bom nisso. Acho que vou me candidatar a prefeito em breve. Já tenho anos de experiência. (Risos)

NHOR : Agora que 'Chinese Democracy' foi lançado, você está aliviado pois finalmente não terá que responder toda hora a pergunta, "Quando o álbum vai sair?"

RT : Não, pois agora estão todos dizendo, "Quando o próximo álbum vai sair?" (Risos)

NHOR : Então... Quando o próximo álbum vai sair?

RT : Isso aí. Eu acho que levou coisa de dois dias até que as pessoas começassem a me perguntar “Então, quando o próximo álbum vai sair?” Cara, nos dê uma chance. (Risos)

NHOR : Você está satisfeito com sua performance em 'Chinese Democracy', ou há algumas coisas que você gostaria de voltar atrás e mudar?

RT : Estou tão satisfeito quanto sou capaz de estar. Pois não importa o que eu faça, em uma semana estarei ouvindo as coisas que eu gostaria de fazer definitivamente. O que eu gostaria de adicionar, mudar o tom, ou tocar novamente. É sempre assim. Pois com qualquer álbum, o processo de mixagem nunca está pronto. Ele continua por anos após o álbum estar pronto, só que está acontecendo em sua cabeça. E as coisas que estão na sua cabeça, você não pode fazer nada a respeito. Você está assombrado por elas. Então dentro de uma semana em tudo o que faço, seja o meu álbum ou o 'Chinese Democracy', eu começo a ficar assombrado por coisas miúdas. Como, como eu ataquei aquela nota, cara eu devia ter conseguido algo mais agudo nessa parte. Ou, merda, eu deveria ter colocado uma harmonia nessa parte. Eu poderia ter feito uma melodia melhor ali. Seja lá o que for. Então eu estou tão feliz o quanto sou capaz de ser.

NHOR : Seus álbuns solo e com sua banda Bumblefoot são bem não-comerciais em relação ao que toca nas rádios hoje em dia. Enquanto com os Guns que algo que você tocou seja tocado na rádio. Como você se sentiu ouvindo algo em que você tocou, como as músicas novas do GNR, na rádio pela primeira vez?

RT : Eu acho que eu senti fome. Eu estava a caminho do jantar. (Risos) Foi legal. A primeira vez que eu vi tive o sentimento de alívio. Não apenas por mim, mas tinham tantos fãs do GNR que esperaram por tanto tempo para ter a música legitimamente lançada. Foi uma sensação de felicidade por eles, que finalmente receberam aquilo, após tanto tempo e apoio, que algo estava finalmente lá. Eu fiquei muito feliz.

NHOR : O álbum foi recentemente certificado com disco de Platina nos Estados Unidos. No meio dos Guns, existe uma satisfação em relação a quanto o álbum vendeu até então?

RT : É difícil dizer. Eu acho que é meio óbvio, com praticamente todos os músicos, não importa o quanto você venda, você vai querer vender mais. Essas são forças que mantém o músico seguindo em frente. A constante luta por mais, fazer melhor, superar ainda mais. Isso é algo inerente da natureza de qualquer músico. Então eu nunca cheguei a perguntar a eles. Eu nunca disse, "Hey Axl, você está feliz com essa merda?" (Risos) Nós não falamos sobre essas coisas. Nós falamos sobre filmes idiotas, piadas sobre bundas e coisas assim.

Mas eu posso apenas pensar que a maioria pensa como eu. Eu adoraria fazer mais vídeos, e empurrá-los cada vez mais pela garganta das pessoas. Eu adoraria tocar para cada pessoa que tem orelhas e fazer tudo que podemos fazer. Pois, quando você lança um álbum, é como ter um bebê. Você quer criar o bebê para o máximo de vida que ele possa ter. Você quer fazer o que pode fazer pra isso. Então é esse tipo de coisa. O que posso fazer para dar a este bebê uma vida melhor? É basicamente assim. Não importa o quão bom esteja indo você sempre quer mais daquilo. É o instinto paternal.

NHOR : Qual é a coisa que as pessoas ficariam surpresas de saber a respeito do Axl?

RT : Eu não sei. Eu acho que as pessoas que não o conhecem são aquelas que têm idéias erradas a seu respeito. As pessoas que o conhecem têm várias coisas boas para serem ditas a seu respeito. Ele tem óptimos amigos que viraram meus amigos. Eu cruzei a linha das pessoas que não o conhecem para aquelas que o conhecem, e eu não sei mais o que as pessoas sabem ou não. Eu sei sim que tem um monte de informações erradas sobre ele por aí. Isso meio que me chateia ver e ler coisas que eu sei que são completas mentiras.

NHOR : Muitas pessoas têm essa concepção do novo Guns N' Roses sendo apenas o Axl e o resto de vocês sendo apenas mão-de-obra contratada, que eu tenho certeza que vocês estão cientes. O quanto de banda tem essa configuração?

RT : Isso é apenas parte de toda a merda negativa que faz parte da bagagem de ser um novo Guns N’ Roses. Essa coisa toda de blah blah blah, eles são apenas contratados... blah blah blah... eles não são os membros originais blah blah blah você não é minha mãe de verdade, blah blah blah. (Risos)

Considerando que existem caras na banda que estão lá há 18 anos há seja já quanto tempo for, e considerando que nós vemos cada um quotidianamente, e quando não nos vemos, nós nos falamos o tempo todo, saindo pra fazer coisas juntos, tocando e participando dos álbuns um do outro, e fazendo tudo o que membros de bandas fazem... eu diria que é uma banda. Se as pessoas querem reconhecer isso ou não, isso é com eles, e o que for que os deixem felizes. Isso não muda a verdade.

NHOR : Há mais alguma coisa que você gostaria de falar para seus fãs?

RT : Obrigado por manter uma mente aberta em relação a todas as bizarrices que eu fiz. Seja moldar guitarras em formatos estranhos, ou fazer música estranha, ou tocar com os Guns N' Roses, eu espero que eles gostem, e espero vê-los todos em breve e dividir a experiência com eles.

Fonte: Nightwatcher's House Of Rock
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